O ETERNO DESCONTENTE

O ETERNO DESCONTENTE

                Um homem descontente com a sorte queixava-se de Deus.

                _ Deus _ dizia ele _ dá aos outros as riquezas e a  mim dá coisa alguma. Como é que eu hei de poder fazer o meu caminho nesta vida, sem nada possuir?

                Um velho ouviu estas palavras e disse-lhes:

                _ Acaso és tu tão pobre quanto dizes? Deus não te deu, porventura, saúde e mocidade?

                _ Não digo que não e até me orgulho bastante da minha força e do verdor dos meus anos.

                O velho então, pegou na mão direita do homem e perguntou - lhe:

                _ Deixa cortar-te essa mão por mil rublos?

                _ Nem por doze mil!

                _ E a esquerda?

                _ Também não!

                _ E por dez mil rublos consentirias em ficar cego por toda a vida?

                _ Nem um olho dava por tal dinheiro!

                _ Vês _ observou o velho _ que riqueza Deus te deu e tu ainda te queixas?

LÉON TOLSTÓI

 

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Giocar, 01/10/2001